Como pastores, ao recebermos a responsabilidade de cuidar de um distrito ou exercer outra função ministerial, naturalmente desejamos ver a obra avançar: novos membros, novas igrejas e novos lugares alcançados pelo evangelho. No entanto, existe uma pergunta que nem sempre fazemos: Qual é o maior legado que posso deixar como pastor? A resposta pode ser resumida em uma frase simples: o maior legado de um pastor é outro pastor.

Isso não significa que igrejas, batismos ou novos projetos não sejam importantes. Pelo contrário, eles têm grande valor. Mas tudo isso precisa de continuidade. E a continuidade da missão depende de pessoas chamadas por Deus, preparadas para servir e dispostas a levar adiante Sua obra.

Na Bíblia, os grandes servos de Deus deixaram outros servos. Moisés deixou Josué. Ele não apenas conduziu o povo, mas preparou alguém para continuar a missão. Elias deixou Eliseu. O profeta encontrou um jovem arando a terra, lançou sobre ele seu manto e o chamou para o serviço profético. Paulo deixou Timóteo, Tito e outros obreiros. Seu ministério não foi solitário; foi multiplicador. Por isso, escreveu: “E o que você ouviu de mim na presença de muitas testemunhas, isso mesmo transmita a homens fiéis, idôneos para instruir a outros” (2Tm 2:2).

Ellen White destacou que os ministros mais experientes têm a responsabilidade de investir na formação de jovens obreiros: “E nossos pastores devem se dedicar muito mais a auxiliar e educar jovens obreiros” (Obreiros Evangélicos [CPB, 2024], p. 57). Observe que ela não diz que os pregadores deveriam fazer isso apenas se tivessem tempo. Ela afirma que devem dedicar muita atenção a esse assunto.

A pergunta, então, é: De que maneira podemos deixar outro pastor como legado? Primeiro, é preciso assumir essa missão como um propósito de vida e ministério. Cada distrito, cada igreja e cada instituição deveriam se tornar espaços para descobrir vocações a serviço da missão.

Também precisamos orar por discernimento. O chamado vem de Deus. Por isso, o pastor deve pedir: “Senhor, abre meus olhos para enxergar o que Tu já estás fazendo no coração de algum jovem.” Quando um jovem demonstra amor pela Bíblia, sensibilidade espiritual, paixão pelas pessoas, fidelidade nas pequenas coisas e disposição para servir, devemos agir de forma intencional. Um convite pode despertar uma vida. Uma palavra de confiança pode impactar uma geração.

Além disso, precisamos oferecer oportunidades. O ministério é aprendido observando, praticando e sendo acompanhado. Muitos chamados amadurecem quando alguém abre espaço, confia, orienta e caminha junto.

Por fim, precisamos encorajar outros jovens. Não se trata de fabricar chamados humanos, mas de ajudar o jovem a ouvir a voz de Deus e discernir se o Senhor o está chamando para o ministério.

Devemos nos perguntar: “Quando eu deixar este distrito ou esta responsabilidade, quem terá se aproximado do ministério por minha influência?” O legado mais sagrado é olhar para trás e dizer: “Senhor, por Tua graça, ajudei alguém a ouvir o Teu chamado.”

Afinal, um pastor que forma outro pastor está semeando o futuro da igreja. Um pastor formado para servir a Cristo pode abençoar gerações, proclamar o evangelho eterno e preparar muitos para se encontrarem com o Senhor em Sua vinda.

Por isso, vale a pena repetir: o maior legado de um pastor é outro pastor.

Carlos Gill, secretário ministerial para a Igreja Adventista na América do Sul