Em uma antiga floresta, erguia-se um enorme e respeitado carvalho, líder incontestável da região durante muitos anos. Ao seu redor, cresciam outros jovens. Com o tempo, o clima mudou: houve menos chuva e mais vento. Então, os brotos se aproximaram e disseram ao carvalho: “Sua sombra nos protege, mas às vezes também nos sufoca. Precisamos de mais luz e mais espaço para crescer.” O carvalho respondeu: “Nada mudará.”

Com o passar do tempo, os brotos enfraqueceram. Muitos cresceram deformados, e outros morreram. Até que, certa noite, uma furiosa tempestade atingiu a floresta. O carvalho resistiu, mas perdeu muitos galhos. Isso permitiu que a luz do sol alcançasse os novos brotos, que começaram a crescer livremente.

Os grandes líderes não são os que mais resistem, mas os que escutam as necessidades das novas gerações. Quem não escuta, ainda que seja forte e sábio, acabará sem uma floresta para liderar.

Ouvir as novas gerações nos tira da zona de conforto. Não acredita? Veja o seguinte que vou reproduzir a seguir, algumas observações que recolhi de jovens em diferentes países da América do Sul ao longo dos últimos dez anos.

1. “Por que os pastores dizem uma coisa e fazem outra?” Estudos sociológicos indicam que as novas gerações não se impressionam mais com o carisma ou o conhecimento de um pastor ou líder, mas com seu caráter cristão e sua consagração. Elas não são impactadas por líderes apenas capacitados, mas por líderes transformados. Para elas, não existe separação entre o que alguém é no sábado e o que é durante a semana. As novas gerações procuram líderes reais, genuínos, transparentes e que não tenham medo de compartilhar suas lutas de fé. Os brotos observam a coerência da árvore maior e precisam ser influenciados por ela.

2. “Percebo certa manipulação emocional por parte dos pastores, e isso não me agrada.” É não se trata apenas de gosto pessoal. Simplesmente não é o correto. Faça o que tiver de fazer, diga o que tiver de dizer, corrija o que tiver de corrigir e aplique a disciplina necessária. Mas faça tudo com argumento e princípios bíblicos. Faça com verdade, respeito e amor. Não promovemos uma igreja sem regras nem orientações. Porém, incentivamos o uso de métodos corretos para alcançar as mudanças necessárias. Os brotos precisam ser orientados e acompanhados com um equilíbrio saudável entre justiça e amor, para crescerem com ordem e sabedoria.

3. “Os pastores vivem sem problemas financeiros, e a igreja paga tudo para eles, enquanto nós precisamos de ofertas.” Muitos adolescentes não conseguem distinguir entre a fidelidade nos dízimos e nas ofertas e o suposto conforto em que vivem alguns líderes. É verdade que ocorreram alguns tristes e poucos casos de enriquecimento ilícito de ministros e que, muitas vezes, se toma a parte pelo todo. Mas também é verdade que somos chamados a dar testemunho de modéstia, e não de ostentação, lembrando que somos missionários e que os bens materiais não são nossa prioridade. Os brotos crescem melhor sob a proteção da humildade e da transparência dos grandes líderes.

O perdão, a graça, a fidelidade, a obediência e o chamado à missão se aplicam tanto aos antigos carvalhos quanto aos novos brotos. Portanto, ouça as novas gerações e dialogue sinceramente com elas, mas também as capacite, instrua e oriente. Seja firme, mas paciente. Os brotos precisam crescer e se desenvolver aprendendo com os carvalhos experientes.

Pablo Ale, editor da Ministério, edição da Aces