O ancião é um líder espiritual local, reconhecido e escolhido pela congregação, com influência direta na atmosfera de fé da igreja. No cuidado com crianças, adolescentes e jovens, sua liderança deve se expressar em presença próxima, escuta capaz de inspirar confiança, abertura e referência espiritual.
A atual geração de líderes que façam pontes entre a doutrina e vida real, especialmente quando se trata da fé profética do remanescente. Isso se relaciona diretamente com o ministério do ancião, chamado a traduzir o evangelho eterno para a realidade vivida pelos mais jovens.
Pesquisas demonstram que o período entre 15 e 25 anos é um dos momentos mais críticos do desengajamento religioso. O pastor Roger Dudley observou que um fator que contribui para a saída de jovens adultos da igreja é a “falta de inclusão da participação dos jovens na vida e na liderança da congregação”. De acordo com os participantes da pesquisa de Dudley, “uma igreja ideal é aquela em que os jovens adultos estão “ativos na vida do grupo”.1
De que maneiras práticas o ancião pode contribuir para o cuidado das novas gerações? Vejamos:
1. Organização das estruturas da igreja para fortalecer as novas gerações. Cabe ao ancião zelar para que a estrutura física da igreja reflita sobre a importância das novas gerações. Isso inclui investimento consciente nas salas dos departamentos da Escola Sabatina, adaptadas para cada faixa etária, com ambientes adequados, seguros e pedagógicos.
A Escola Sabatina, historicamente compreendida como o “coração da igreja”, deve ser fortalecida como espaço de discipulado, não apenas de ensino, criando experiências bíblicas relevantes para cada etapa do desenvolvimento.
2. Organização do calendário da igreja. Uma ação prática fundamental é a organização equilibrada do calendário anual da igreja, garantindo espaço real, e não apenas simbólico, para os ministérios voltados às novas gerações. O ancião deve evitar sobreposições excessivas e reconhecer que as atividades infantis, juvenis e de jovens fazem parte da missão central da igreja. Planejamento, previsibilidade e apoio institucional comunicam valor e ajudam os líderes desses ministérios a atuarem com excelência e propósito.
3. Envolvimento e integração das novas gerações nas atividades da igreja. O ancião deve promover participação ativa das novas gerações na vida da igreja, integrando-as em escalas litúrgicas, projetos, comissões e decisões, sempre de forma adequada à maturidade de cada grupo. A igreja deixa de ser apenas um espaço de consumo religioso e passa a ser um ambiente de pertencimento e serviço. Ellen White enfatiza que jovens devem ser preparados, confiados ao serviço e envolvidos diretamente na obra de Deus, pois a experiência prática fortalece a fé e solidifica a identidade cristã.²
4. Fortalecimento da participação missionária. Por fim, o ancião deve encorajar e apoiar fortemente o envolvimento missionário das novas gerações. Iniciativas como Missão Calebe, Um Ano em Missão (OYIM) e outras formas de voluntariado missionário se mostram, na prática, poderosos instrumentos de discipulado, amadurecimento espiritual e confirmação do chamado cristão. A missão deixa de ser um discurso e se torna uma vivência concreta, alinhando identidade, fé e propósito.
O cuidado com crianças, adolescentes e jovens não é um ministério periférico, mas parte essencial da missão da igreja. Deus sempre trabalhou de maneira intencional com as novas gerações (Dt 6:4-9; Sl 78:4-7). Em Seu ministério terrestre, Cristo colocou crianças e jovens no centro de Sua atenção, acolhendo-os e abençoando-os (Mc 10:13-16). Há estudos que sugerem que os próprios discípulos de Jesus eram, em sua maioria, jovens.
Da mesma forma, líderes de hoje são chamados a proteger a fé e orientar os mais novos ao discipulado ativo e ao serviço. O pastor Barry Gane escreveu: “Quando a congregação trata os mais novos como parceiros no ministério, com confiança, voz e responsabilidade real no serviço e no evangelismo, eles desenvolvem fé própria, maturidade e compromisso de longo prazo com a missão da igreja”.
Investir nas novas gerações é responder ao próprio chamado de Deus para preservar a fé e apressar a missão do evangelho eterno. Nesse contexto, o ancião é chamado a exercer uma liderança que nutre, acompanha, confia e envia. O ancião fortalece a fé da juventude quando se torna mentor próximo, integrando os mais novos na vida espiritual e no serviço da congregação. A missão da igreja se acelera quando a juventude encontra responsabilidade real e direção espiritual, tornando-se parceira ativa do movimento profético de Deus.
O ministério do ancião se torna mentoria prática quando o ancião:
- está acessível para dialogar sobre Deus e decisões de vida;
- pratica a escuta espiritual, acolhendo perguntas honestas sem repreensão;
- remove obstáculos relacionais, evitando uma liderança rígida;
- modela uma fé prática, integrando palavra e ação;
- traduz a linguagem da fé para formatos compreensíveis nas diferentes fases da vida;
- compartilha a missão, incluindo os mais novos no serviço congregacional;
- orienta responsabilidades proporcionais à idade, promovendo o desenvolvimento do caráter e do serviço;
- coopera com famílias e ministérios locais, unindo lar, igreja e missão.
Claudiney Santos, secretário ministerial para a região sudeste do Brasil
Referências
1 Roger Dudley, Why Our Teenagers Leave the Church: Personal Stories From 1,000 Youth (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000), p. 208.
2 Ellen G. White, Mensagens aos Jovens (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2021), p. 149.
3 Barry Gane, Building Youth Ministry (Nampa, ID: Pacific Press, 2017), p. 102.
