A vida tem desses momentos imprevisíveis em que uma mensagem providencial muda nossa maneira de enxergar determinadas situações. Lembro-me de um deles. Eu estava exausto, tentando chegar ao quilômetro 17 de uma meia maratona. Naquela manhã de domingo, enquanto o ar quente castigava meu rosto, alcançar a linha de chegada dos 21 quilômetros parecia cada vez mais difícil. Foi então que vi, nas costas de um corredor à minha frente, a seguinte frase estampada na camiseta: “Ir mais devagar nem sempre significa ficar para trás.”

Podemos aplicar essa frase à nobre e desafiadora tarefa de fazer discípulos. Em um mundo acelerado, que cultua a velocidade e frequentemente confunde rapidez com eficiência, nós, como ministros, devemos nos lembrar de que “os mais rápidos nem sempre ganham a corrida” (Ec 9:11). Não existem soluções mágicas, tampouco no discipulado. Com facilidade, valorizamos mais os resultados do que o processo, esquecendo-nos de que ambos são indispensáveis. O discipulado, como toda grande vitória espiritual, exige planejamento, oração, trabalho, paciência e crescente dependência de Deus.

Em Mateus 28:19, Jesus ordena que primeiro façamos discípulos e depois os batizemos. Um princípio básico que nenhum pastor deve esquecer é que o batismo deve ser precedido pela instrução doutrinária. Ellen White afirmou: “O teste do discipulado não tem sido aplicado tão rigorosamente quanto deveria àqueles que se apresentam para o batismo. É necessário compreender se os que dizem ser convertidos estão simplesmente tomando o nome de adventistas do sétimo dia ou se estão verdadeiramente assumindo sua posição ao lado do Senhor para sair do mundo e ser separados e não tocar em coisa imunda. Devem ser aceitos ao darem evidência de que compreendem plenamente sua posição. Mas quando mostram que estão seguindo os costumes, modas e opiniões do mundo, deve-se lidar honestamente com eles. Se não sentem a responsabilidade de mudar seu procedimento, não devem ser conservados como membros da igreja. O Senhor deseja que os que compõem a Sua igreja sejam mordomos fiéis e verdadeiros da graça de Cristo” (Testemunhos Para Ministros [CPB, 2025], p. 101).

Nesse aspecto, a ética pastoral também entra em ação. Devemos agir com responsabilidade. Não é apropriado batizar alguém sem explicar, com clareza, os privilégios e as responsabilidades de ser discípulo. Tampouco faz sentido batizar alguém em um sábado pela manhã e, semanas depois, explicar-lhe a devolução do dízimo e por que cremos que Ellen White foi uma mensageira do Senhor.

Ir mais devagar não significa, necessariamente, ficar para trás. Em contrapartida, apressar-se e formar discípulos sem a devida maturidade espiritual é um grande retrocesso. Resultados imediatos são tentadores, mas frequentemente produzem discípulos incompletos, membros instáveis e propensos a abandonar a igreja ou a permanecer nela espalhando críticas e descontentamento.

Por meio da visitação, do estudo aprofundado da Bíblia, dos pequenos grupos, da formação de líderes e, acima de tudo, pelo poder do Espírito Santo, sejamos agentes de discipulado. Deus e Sua igreja precisam de nós!

Pablo Ale, editor da Ministério, edição da Aces