Testemunha silenciosa de tempestades intensas, o Farol Les Éclaireurs (conhecido popularmente como “O Farol do Fim do Mundo”) ergue-se imponente, com suas faixas vermelhas e brancas e sua luz cintilante. Com 11 metros de altura e 3 metros de diâmetro, está fincado entre rochas na paisagem idílica do extremo sul da Argentina. O farol começou a operar em janeiro de 1923 e, desde então, tem evitado o naufrágio de inúmeras embarcações.
O “Farol do Fim do Mundo” não sai correndo pelo oceano para convencer os navios a não se chocarem contra as rochas. Ele permanece em seu lugar: firme, inamovível e com a luz acesa. Não negocia sua posição com as ondas. Não deixa de emitir luz para não “ofender”. Simplesmente está ali, brilhando de forma constante e indicando o caminho seguro.
Como pastores adventistas, somos chamados a ser faróis nestes dias finais, em que a escuridão se intensifica. Deus nos confiou a responsabilidade de sermos luzes (Mt 5:14-16), de viver em obediência e de pregar a mensagem de Jesus, a verdadeira Luz do mundo (Jo 8:12). Fortalecer nossa identidade cristã em uma sociedade cada vez mais relativista e carente de valores morais absolutos é um grande desafio. Como podemos fazer isso? Vejamos:
1- Recordando nosso chamado. Levítico 20:26 declara: “Sejam santos para Mim, porque Eu, o Senhor, sou santo e os separei dos outros povos, para que sejam Meus”. A santidade é a identidade que Deus deseja imprimir em nós. Ela não nasce do esforço humano, mas é um dom de Deus. Ser diferente é um privilégio e uma consequência natural de pertencermos a Ele. Não se trata de nos separarmos “do mundo” por orgulho ou senso de superioridade, mas por lealdade ao Seu caráter santo. Enquanto o mundo convida à mistura, à diluição e à negociação de valores, Deus pede exatamente o oposto. Essa diferença se manifesta na maneira como amamos (inclusive os inimigos), como perdoamos (sem guardar rancor), como usamos nosso corpo (templo do Espírito Santo), como falamos (verdade com graça) e como enfrentamos o sofrimento (com esperança eterna).
2- Fortalecendo nossa vida de oração. Marcos 1:35 diz: “Tendo-Se levantado de madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus saiu e foi para um lugar deserto, e ali orava”. A santidade não começa pelo exterior. Sua “semente” está na oração secreta, expressa em lágrimas e súplicas. Não podemos formar – e muito menos manter – nossa identidade sem uma vida dedicada à oração.
3- Aprofundando nosso estudo da Bíblia. De acordo com 2º Timóteo 3:15 a 17, a Palavra de Deus é útil, nos prepara para toda boa obra e nos torna sábios para a salvação. Não há como preservar a identidade neste tempo sem o estudo profundo das Escrituras. Infelizmente, muitos hoje fundamentam sua vida espiritual em vídeos do YouTube e postagens motivacionais das redes sociais. Não afirmo que consumir esse conteúdo seja, em si, algo ruim; sustento, porém, que isso não pode nem deve ser a base da nossa comunhão com Deus.
4- Testemunhando a verdade com ousadia. Josué 1:6 a 9 orienta todo líder a ser forte e corajoso para fazer o que é certo. Com amor, humildade e sólido fundamento bíblico, devemos ousar tratar temas rotulados como “polêmicos”, não por o serem em si, mas por confrontarem o que a Bíblia e o Espírito de Profecia ensinam. O silêncio diante do erro e a omissão da verdade acabam normalizando o pecado. Corrigir não é punir; é preservar a santificação.
Seja um farol do fim do mundo! Mantenha sua luz acesa! (Fp 2:15).
Pablo Ale, editor da Ministério, edição da Aces
